Fórum SOL de Ciência Aberta reuniu comunidade da Computação e marcou primeira edição do Prêmio SOL Reprodutibilidade

A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) realizou, pela primeira vez, o Fórum SOL de Ciência Aberta como parte da programação do XLVI Congresso da Sociedade Brasileira de Computação (CSBC 2026). Realizado em 22 de julho, em Gramado (RS), o evento reuniu pesquisadores e profissionais para discutir oportunidades e desafios relacionados à adoção de práticas de Ciência Aberta na Computação brasileira. A programação também marcou a entrega do Prêmio SOL Reprodutibilidade e do Prêmio SOL Visibilidade.

O Fórum foi resultado da associação da SBC à Rede Brasileira de Reprodutibilidade (RBR), ampliando a atuação da Sociedade na promoção de práticas científicas mais transparentes e colaborativas e dando continuidade a iniciativas anteriores da entidade, como o 1º Seminário Oportunidades e Desafios da Ciência Aberta na Computação, realizado durante o CSBC 2023, e o Love Data Day Brasil, promovido em 2025 e 2026.

“O evento superou nossas expectativas, com a realização de um painel sobre reprodutibilidade, no qual os principais aspectos do tema foram discutidos. A qualidade e a validade de um estudo desenvolvido com base nesses princípios podem ser atestadas ou contestadas de forma sistemática, permitindo que avanços científicos que deles decorram sejam alcançados de maneira mais rápida e consistente. Os painelistas Avelino Zorzo (PUCRS/CAPES), Carolina Felicíssimo (RNP), Eduarda Centeno (RBR) e Sérgio Soares (UFPE) trouxeram visões complementares sobre o assunto, abordando desde questões culturais e políticas até a necessidade de investimento em infraestrutura, indicando ações fundamentais para fomentar a adoção de práticas de Ciência Aberta”, explicou o professor José Viterbo Filho, diretor de Publicações da SBC. 

Prêmio SOL Reprodutibilidade

Também criado em parceria com a RBR, o Prêmio SOL Reprodutibilidade foi concebido para reconhecer anualmente artigos publicados em periódicos da SBC que apresentem destaque em transparência metodológica, compartilhamento responsável de dados e artefatos de software e integridade científica.

A primeira edição teve caráter piloto, já que o prêmio foi instituído em junho de 2026. Em razão do prazo reduzido para a organização da premiação, somente o Journal on Interactive Systems (JIS) e a Revista Brasileira de Informática na Educação (RBIE) participaram da indicação dos trabalhos.

O prêmio foi concedido ao artigo “A Network-Driven Framework for Bidimensional Analysis of Information Dissemination on Social Media Platforms”, de Geovana Oliveira, João Pedro Lobo, Otávio Venâncio, Vinícius Vieira, Jussara Almeida, Ana Silva, Ronan Ferreira e Carlos Ferreira, publicado no JIS.

A menção honrosa ficou com “Red Alert! Unveiling Insights in Violence Against Women through Interactive Data Visualization”, de Gabriel Zurawski, Vinícius Pedroso, Eduarda Patricio, Giovanna Castro, André Rollwagen e Isabel Manssour, também publicado no JIS.

Segundo Viterbo, a premiação nasceu como parte dos compromissos assumidos pela SBC com a RBR e teve, desde o início, a intenção de contribuir para uma mudança mais ampla na comunidade científica. “Acreditamos que, ao promover discussões dessa relevância em um evento de tamanha magnitude, estaremos ampliando o alcance do tema e incentivando a consolidação da cultura de Ciência Aberta no ecossistema brasileiro de pesquisa em Computação”, afirmou.

A primeira edição também permitiu identificar um dos principais desafios para a consolidação dessa cultura. Embora os trabalhos indicados tenham apresentado alta qualidade, Viterbo observou que a disponibilização de dados, softwares e outros artefatos ainda não é uma prática amplamente disseminada nos periódicos da SBC.

“Já nesta primeira edição recebemos indicações de trabalhos de excelente qualidade. Contudo, de modo geral, ainda são poucos os artigos publicados nos periódicos da SBC cujos autores disponibilizam dados, softwares ou outros artefatos relacionados à pesquisa. Esperamos que esta premiação traga mais visibilidade ao tema, conscientizando cada vez mais os autores sobre a importância de fornecer os recursos necessários para garantir a reprodutibilidade integral de seus estudos”, pontuou o diretor.

Prêmio SOL Visibilidade

O Fórum também foi palco da entrega do Prêmio SOL Visibilidade, que contemplou trabalhos publicados pela SBC em três categorias: periódicos, anais de eventos e capítulos de livros.

Na categoria Periódicos, o primeiro lugar foi concedido a “The evolution of CRISP-DM for Data Science: Methods, Processes and Frameworks”, de André Massahiro Shimaoka, Renato Cordeiro Ferreira e Alfredo Goldman. O segundo lugar ficou com “Catastrophic Forgetting in Deep Learning: A Comprehensive Taxonomy”, de Everton Lima Aleixo, Juan G. Colonna, Marco Cristo e Everlandio Fernandes, e o terceiro com “Computação Desplugada: Um Recurso Para o Estímulo de Habilidades Relacionadas ao Pensamento Computacional nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental”, de E. C. Grebogy, M. A. Castilho e I. Santos.

Receberam menção honrosa “Investigating Manipulative Design on Social Media Platforms – the Case of Kidinfluencers”, de Nathalia Albuquerque, George Valença e Taciana Pontual Falcão, e “Modelo de Predição de Evasão Escolar com Base em Dados de Autoavaliação de Cursos de Graduação”, de Ronei dos Santos Oliveira e Francisco Petronio Alencar Medeiros.

Na categoria Anais de Eventos, o primeiro lugar foi para “BNCC Computação: O que os acadêmicos de licenciatura precisam saber sobre o Pensamento Computacional?”, de Almir de Oliveira Costa Junior e José Anglada Rivera. O segundo lugar foi concedido a “Digital Twins for Education: A Literature Review”, de João Eduardo Cosentino Bachmann, Ismar Frango Silveira e Valeria Farinazzo Martins, e o terceiro a “Autismo e Tecnologias Assistivas: uma Revisão Sistemática dos Anais do Congresso Brasileiro de Informática na Educação”, de Emerson A. Carvalho, Fábio J. Alves, Igor D. Rodrigues, Telma L. Souza e Denis da S. Moreira.

As menções honrosas da categoria foram “Evasão nos Cursos de Graduação em Computação no Brasil”, de Ícaro Vasconcelos Alvim, Roberto A. Bittencourt e Rodrigo S. Duran, e “A primeira Maratona Feminina de Programação do Brasil: motivações para o desenvolvimento do projeto e relatos da primeira edição do evento”, de Jasmine B. Nunes, Larissa G. de S. Escaliante, Letícia L. M. da Silva e Luísa de Melo B.

Já na categoria Capítulos de Livros, o primeiro lugar ficou com “Introdução às Séries Temporais: Uma Abordagem Prática em Python”, de Rogério Oliveira, Orlando Y. E. Albarracín e Gustavo Rocha Silva. O segundo lugar foi para “Ciência de Dados Aplicada à Cibersegurança: Teoria e Prática”, de Michele Nogueira, Ligia Francielle Borges, Anderson Begamini Neira, Lucas Albano Olive Cruz e Kristtopher Kayo Coelho, e o terceiro para “Ferramentas de Jailbreaking para Grandes Modelos de Línguas – Aprendizado de Máquina no Contexto Adversário”, de Charles Christian Miers, Marcos Antonio Simplicio Jr., Marco Antonio Torrez Rojas, Diego Eduardo Gonçalves Caetano Oliveira, Milton Pedro Pagliuso Neto, Felipe Augusto Schaedler Damin, Romeo Bulla Jr. e Victor Takashi Hayashi.

As menções honrosas foram concedidas a “Programação Paralela com OpenMP: Modelo de Tarefas”, de Calebe Bianchini e Gabriel P. Silva, e “UX e Linguagem Simples na Web: Práticas para um Design de Interação mais Compreensível”, de Rodrigo Oliveira e Claudia Cappelli.

A realização do Fórum SOL de Ciência Aberta e das duas premiações consolidou mais uma frente de atuação da SBC voltada à promoção de práticas que favorecem maior transparência, colaboração, visibilidade e qualidade na pesquisa em Computação. Para José Viterbo, a iniciativa também contribuiu para ampliar o debate sobre a importância da Ciência Aberta dentro da comunidade brasileira de Computação e para estimular a adoção de práticas que tornem os resultados científicos mais verificáveis, reproduzíveis e acessíveis.