Projeto TECER Mulher recebe Chancela SBC e amplia a autonomia digital de mulheres idosas na Amazônia

Em um cenário em que cada vez mais serviços, informações e direitos passam a depender do uso de tecnologias digitais, iniciativas que aproximam esse universo de quem historicamente ficou à margem tornam-se essenciais. É nesse contexto que se insere o TECER Mulher – InTercâmbio Tecnológico Intergeracional para a Mulher Idosa, projeto que acaba de receber o Selo Chancela SBC, concedido pela Sociedade Brasileira de Computação, em reconhecimento ao seu impacto social e educacional.

O TECER Mulher surgiu em janeiro de 2024, em Marabá (PA), a partir da observação de situações cotidianas vividas por mulheres idosas, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, baixa escolaridade e pouco contato prévio com tecnologias digitais. Dificuldades para utilizar aplicativos básicos, acessar a Internet ou realizar pagamentos digitais de forma segura conviviam com uma maior exposição a golpes e desinformação. A partir desse diagnóstico, o projeto estruturou uma ação de extensão com metodologia intergeracional, envolvendo estudantes de Sistemas de Informação como tutores e facilitadores.

“Em toda a região amazônica é comum encontrar pessoas idosas que precisam da ajuda de alguém para pedir um transporte por aplicativo a partir do próprio celular e, quando a viagem termina, entregam o telefone ao motorista para que ele efetue o pagamento via pix”, relata a coordenadora do projeto, professora Léia Sousa.

Com oficinas práticas, linguagem simples, acolhimento e prática guiada, o TECER Mulher promove o uso consciente e seguro do smartphone e de aplicativos essenciais para o dia a dia, como ferramentas de comunicação, pagamentos, acesso a serviços digitais, organização do aparelho e navegação na Internet. As atividades e os materiais produzidos também são adaptados para atender mulheres idosas não alfabetizadas, ampliando o alcance da iniciativa.

No primeiro ciclo estruturado de oficinas, o projeto realizou cinco turmas em instituições parceiras, reunindo 70 participantes, com 59 concluintes. Ao final de 2025, o TECER Mulher já havia impactado cerca de 135 mulheres idosas. Além dos ganhos individuais em termos de autonomia, autoestima e confiança, o projeto gera um efeito multiplicador, com o aprendizado sendo compartilhado com familiares, vizinhos e comunidades.

“A exclusão digital não é neutra: é uma violência estrutural. Quando direitos, serviços e informações migram para aplicativos, quem não acessa o digital passa a ser menos enxergada como cidadã, como se a cidadania tivesse virado ‘login, senha e botão’”, destaca a professora. Ao fortalecer o uso seguro da tecnologia, o TECER Mulher contribui para o exercício da cidadania ativa e para a construção de uma relação mais livre e confiante com o mundo digital.

O projeto também desempenha um papel relevante na formação dos estudantes envolvidos, vinculados à Faculdade de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Atuando como pesquisadores, mediadores e produtores de conteúdo, os alunos desenvolvem habilidades como empatia, ética, comunicação com públicos diversos, didática, pesquisa aplicada e design centrado na pessoa.

“Eles aprendem a traduzir o ‘tecniquês’ para uma linguagem simples, sem infantilizar, a construir exemplos a partir da vida cotidiana e a adaptar conteúdos para acessibilidade, inclusive para pessoas não alfabetizadas”, explica Léia Sousa.

O TECER Mulher é um projeto institucional apoiado pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis (PROEX/Unifesspa) e pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação Tecnológica (PROPIT/Unifesspa), desenvolvido em parceria com o CRAS de Marabá e Nova Ipixuna, o Instituto Vida Bela, o Instituto Esperança e Vida e o Clube de Mães de Marabá. A iniciativa também integra a Rede Digital 60+, da Agência Nacional de Telecomunicações, fortalecendo sua articulação nacional em torno da inclusão digital da população idosa.

Sobre a Chancela SBC, a coordenadora ressalta que o reconhecimento amplia o alcance do projeto: “A Chancela SBC fortalece o projeto em três dimensões principais: credibilidade, visibilidade e conexão em rede. O selo amplia nossa capacidade de articulação com instituições e parceiros e projeta o TECER Mulher como uma metodologia replicável para outras regiões”, resume. 

Saiba mais sobre o TECER Mulher: https://www.sbc.org.br/tecer-mulher/.
E conheça outros projetos chancelados pela SBC: https://www.sbc.org.br/chancela-sbc/.