CR-LC/2001 - Versão Amarela
Grupo de Trabalho de Licenciatura em
Computação
( www.sbc.org.br/educacao/GT-LC)
Maria de Fátima
Ramos Brandão, UnB (Brasília-DF), fatima@cic.unb.br
Coordenadora
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Instituicão |
Local |
Participante |
E-mail |
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Faculdade de Ciência e Tecnologia de UNAI - |
UNAI-MG |
William José Ferreira |
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Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UNILESTE – MG |
Coronel Fabricio – MG |
Maria Aparecida Fernandes Almeida |
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Universidade da Amazônia – UNAMA |
Belém – Pará |
Leonardo Maro da Luz Falcão |
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Universidade Estadual do Ceará – |
Fortaleza – Ceará |
Ingrid Guedes Teles |
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Universidade Católica de Goiás |
Goiânia – GO |
Marco Aurélio Miranda de Alencar |
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Universidade Católica de Goiás |
Goiânia – GO |
Thiago Segati Silva |
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Universidade de Cuiabá |
Mato Grosso – MT |
Nivaldi
Calonego Junior |
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Universidade de São Paulo – ICMC – São Carlos |
São Carlos – SP |
Regina H. C. Santana |
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Universidade Estadual do Piauí – UESPI |
Teresina – Piauí |
Lianna Mara Castro Duarte |
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Universidade Estadual do Piauí – UESPI |
Teresina – Piauí |
Gustavo de Araújo Santana |
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Universidade de Brasília |
Brasília – DF |
Rafael de Alencar Lacerda |
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Universidade de Brasília |
Brasília – DF |
Roberto Rosa da Silveira Júnior |
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Centro Universitário Adventista de São Paulo |
São Paulo |
Hélvio Carvalho de Araújo |
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Universidade Gama Filho |
Rio de Janeiro |
Luiziana Rezende |
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Insituto Latino Americano de Planejamento Educacional |
|
Vladimir Bernardi |
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CM Consultoria de Administracão |
|
Agenor Celso de Paula |
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CM Consultoria de Administracão |
|
Denis de Oliveira Junior |
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UNIFOR |
Fortaleza – Ceará |
Liádima Camargo Lima |
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UNIVERSO |
Campos/RJ |
Carlos Henrique M. Souza |
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Universidade de Santa Cruz do Sul |
Santa Cruz do Sul - RS |
Bettina
Steren dos Santos |
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Maria Augusta Nunes |
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UNIVERSO |
Campos/RJ |
Carlos Henrique M. Souza |
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UNEB |
Brasília / DF |
José Eduardo Aragão Filho |
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Universidade de Caxias do Sul |
Caxias do Sul / RS |
Marcos Eduardo Casa |
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Universidade de Caxias do Sul |
Caxias do Sul / RS |
Alvaro Freitas Moreira |
|
Este
documento, produzido pelo Grupo de Trabalho da Diretoria de Educação da SBC
(GT-LC) durante o XXI Congresso da SBC, constitui as bases de uma Proposta de
Currículo de Referência para cursos de
Licenciatura da Área de Computação e Informática, abreviado por CR-LC/2001 -
Versão Amarela, ou em construção, disponibilizado na página da SBC na Internet
pode ser divulgado amplamente.
O objetivo do CR-LC/2001 é
servir de referência para a criação de currículos para cursos de nível superior
de formação profissional docente ou de licenciatura, que tenham a computação
como área de especialidade ou de atuação multidisciplinar, em sintonia com as
Diretrizes Curriculares da área de Computação e Informática e com as Diretrizes
para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica.
O CR-LC/2001 deve constituir as bases da formação de
educadores na área de computação para os diversos campos de atuação na
educação.
A formação profissional docente, de
modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as
características de cada fase do educando, terá como fundamentos a associação
entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço; e o
aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino
e outras atividades (Art.61 da LDB).
Esses pressupostos exigem, durante
todo o processo de formação do licenciando, uma abordagem integrada entre a
teoria, a prática e as experiências anteriores, quer sejam de natureza docente
ou não. A concepção autônoma para a
aquisição, produção, criatividade e inovação aliada à sensibilidade para a compreensão, análise e
intervenção em situações de ensino
complexas, são requisitos essenciais para a formação profissional docente de
qualidade.
A Computação ou Informática, entendida
como o corpo de conhecimentos a respeito
de computadores, sistemas de computação e suas aplicações, engloba
aspectos teóricos, experimentais, de modelagem e de projeto que têm a computação como área de especialidade e como área de atuação multidisciplinar. Apresenta como princípio de investigação a resolução de problemas humanos, cada vez
mais complexos e interrelacionados com outras áreas, que tem determinado avanços e transformação da sociedade. A
técnica produzida pelas ciências transforma a sociedade, mas também,
retroativamente, a sociedade tecnologizada transforma a própria ciência. Assim,
a ciência é intrínseca, histórica, sociológica e eticamente, complexa. É essa
complexidade específica que é preciso reconhecer[1].
A computação, como uma ciência, é portanto inseparável de seu contexto
histórico e social.
A concepção de cursos de formação profissional docente em
computação abrangerá os enfoques de formação especializada e multidisciplinar.
Esse requisito é fundamentado no fato de que o campo de atuação do profissional
licenciado em computação deverá contemplar:
na educação básica, o enfoque de formação para atuação multidisciplinar
no campo do desenvolvimento do conhecimento, da vida social e do trabalho; e na
educação profissional, para as demandas produtivas de formação geral e de
especialização técnica. Ambos os campos de atuação do licenciado podem ter a
computação como o corpo de conhecimentos especializado e/ou multidisciplinar.
O importante no
caso da formação do licenciado em computação é a caracterização do curso como
de formação de educadores em computação, independentemente do enfoque de
atuação profissional. O perfil do profissional
licenciado delimitará o escopo de atuação do educador e dependerá da concepção do projeto político pedagógico do curso.
Este documento
apresenta na seção 4 o perfil do
profissional docente - ou licenciado - e o seu papel na sociedade. Apresenta as
principais competências e habilidades, deveres e responsabilidades dos
profissionais, e por conseqüência as responsabilidades das Instituições
envolvidas na atividade de formação dos licenciados em computação.
A seção 5 apresenta os princípios da
formação profissional docente evidenciando os aspectos fundamentais da
concepção da formação e do curso.
A seção 6 apresenta a estruturação de
conteúdos formativos de acordo com as Diretrizes Curriculares da Área de
Computação e Informática úcleos e os princípios fundamentais a serem necessariamente desenvolvidos quando da
seleção do elenco das matérias do projeto e concepção de um curso.
4 PERFIL PROFISSIONAL DO EDUCADOR
4.1 Aspectos gerais
O
educador é um profissional que incorpora competências, saberes e habilidades de
criatividade e inovação, de cooperação e de trabalho em equipe, de gestão e tomada de decisões, de aquisição
e produção de conhecimentos, de expressão e comunicação, não sendo somente
reprodutor de conhecimentos já estabelecidos.
Trata-se
de um profissional capaz de : atuar na docência e compreender sua prática
pedagógica como um processo de aprimoramento contínuo; estabelecer relações entre as áreas do conhecimento e o
contexto social que atua; desempenhar
um papel transformador da realidade de forma a
contribuir para o desenvolvimento da ciência, tecnologia, arte e
cultura; e promover a formação de cidadãos para uma sociedade fundada no conhecimento, no trabalho e na necessária reflexão sobre valores éticos, de justiça e de integração social.
4.2 Competências e Habilidades
O desenvolvimento de
competências é processual e a formação inicial é, apenas, a primeira etapa do
desenvolvimento profissional permanente. A perspectiva de desenvolvimento de
competências exige a compreensão de que o seu trajeto de construção se estende
ao processo de formação continuada, sendo, portanto, um instrumento norteador
do desenvolvimento profissional permanente [MEC,2000].
Os egressos de cursos de
Licenciatura em Computação devem desenvolver as seguintes competências e
habilidades:
·
Ter uma sólida compreensão dos processos
educativos e de aprendizagem, de forma a estabelecer relações e integrar a área
de computação à ciência da educação, de maneira multidisciplinar, transversal e
multidimensional, promovendo a
apreensão e reflexão do seu contexto, da complexidade e do seu conjunto, de
forma a redirecionar as ações no ensino e aprendizagem;
·
Ser capaz de atuar como agente de processos
e vivências educativas em computação, de maneira integrada às demais áreas do
conhecimento e na solução de problemas da sociedade humana, global e
planetária;
·
Ser capaz de promover a aprendizagem
criativa, autônoma, colaborativa e de comunicação e expressão, como princípios
indissociáveis da prática educativa;
·
Promover a cultura empreendedora,
contribuindo para uma mudança nos paradigmas comportamentais e de atitudes nos
contextos educacionais, na perspectiva de desenvolvimento pessoal e
profissional.
4.3 Aspectos Técnicos
Os egressos de cursos de
Licenciatura em Computação devem ser profissionais com os seguintes
conhecimentos técnicos, que podem variar de acordo com as especificidades de
cada curso:
·
Compreensão dos fundamentos conceituais da ciência da
computação e das tecnologias básicas associadas, suas aplicações e seus
impactos na organização produtiva e sócio-cultural regional, nacional e global,
numa perspectiva de preservação das identidades culturais, de melhoria da qualidade
de vida e da cidadania terrestre;
·
Reconhecimento e identificação de problemas da sociedade
humana que possam ser tratados com o suporte computacional de maneira multi, inter e transdisciplinar;
·
Modelagem, especificação, desenvolvimento, implantação e manutenção de soluções computacionais para
abordagem de problemas reais e
da sociedade em contextos educacionais e de educação corporativa;
·
Uso e seleção de software e hardware adequados às
demandas das escolas, instituições de ensino e
organizações em geral.
Os cursos de licenciatura
devem preparar educadores capacitados a contribuir para o desenvolvimento da sociedade a partir da
produção de conhecimentos e da docência na área de computação de maneira multidisciplinar
ou especializada. Devem ser preparados para apropriar as evoluções na
área de forma autônoma e desenvolver sensibilidade para atuar nos diferentes contextos de ensino
formal e não formal.
Os cursos de licenciatura
com enfoque de formação especializada devem preparar profissionais que possam
desenvolver atividades de: (a)
investigação e desenvolvimento de conhecimento nas áreas de computação e de educação de maneira
multi, inter e transdisciplinar; (b)
análise e modelagem de problemas educacionais do ponto de vista
computacional; e (c) projeto e
implementação de soluções computacionais nos
processos educacionais e de aprendizagem.
Os cursos de licenciatura
com enfoque de formação multidisciplinar em computação devem preparar profissionais capacitados a aplicar
a computação em outros domínios de conhecimento. Os profissionais devem ser
aptos a desenvolver e utilizar recursos computacionais para solução
de problemas em contextos diversos. As atividades desses profissionais
englobam: (a) avaliação, especificação, aquisição, instalação e gestão dos
recursos e serviços da tecnologia da informação e (b) desenvolvimento e
evolução de sistemas e infra-estrutura tecnológica para uso em processos
educacionais, organizacionais, produtivos, administrativos e de gestão.
4.4 Aspectos Ético-Sociais
Os
egressos de cursos de Licenciatura em Computação devem desenvolver a
consciência ética do genêro humano que é ser ao mesmo tempo
indivíduo/sociedade/espécie. A ética deve formar-se nas mentes com base na consciência
de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da
espécie, não podendo ser ensinada por meio de lições de moral. O
desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento
conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da
consciência de pertencer a espécie humana [Morin,2000].
Nesse
sentido, os egressos do curso de licenciatura devem desenvolver a capacidade de
compreender e estabelecer essas conexões de conhecimentos individuais,
coletivos, de cidadania e de preservação ambiental, desenvolvendo reflexões
sobre os princípios éticos que regem a sociedade, e em particular àqueles da
tecnologia da informação.
A formação profissional da licenciatura deverá adquirir
identidade própria e integrar a
formação pedagógica e a formação específica. Tais pressupostos exigem dos alunos e docentes, durante todo o
percurso da formação, uma atitude ativa
e reflexiva sobre a prática, os
currículos e conteúdos apresentados e sobre o processo de aprendizagem, estabelecendo-se dinâmicas
pedagógicas diferenciadas e próprias daquelas desenvolvidas na praxe dos cursos
de bacharelado.
É necessário portanto introduzir mecanismos que evidenciem
claramente o papel do licenciado, visando a tomada de consciência e mudança de
postura frente ao contínuo processo de formação docente. Esse requisito exige o
estabelecimento do vínculo do aluno com o curso desde o momento do ingresso.
Isso implica dizer que o processo de
formação da licenciatura deverá ser caracterizado desde o início do curso,
pelas matérias que compõem o currículo, com práticas de ensino diferenciadas
daquelas adotadas para os cursos de bacharelado, ainda que sejam preservadas as similaridades do seu campo
formativo.
O tratamento das licenciaturas como processo de formação
distinto do bacharelado procura evidenciar a identidade própria das
licenciaturas a qual poderá ser consolidada,
com base nos documentos de Diretrizes Curriculares e o CR-LC, em um Projeto Institucional e Pedagógico
específico do curso. O projeto pedagógico do curso deverá garantir a identidade
da licenciatura como um processo de formação contínuo desde o início do curso e
não apenas em disciplinas, matérias pedagógicas e estágios ao final do curso.
5.1 Duração do Curso
Os cursos de licenciatura devem ser consolidados como
cursos de excelência de nível de graduação e de duração plena para a formação
inicial de educadores da área de
computação. O tempo destinado à parte prática deve permear todo o curso
de formação, de modo a promover o conhecimento experiencial do educador.
5.2 Vivência Experiencial
A formação do licenciando, conforme prevê a LDB, deverá
integrar teoria e prática durante todo
o processo de formação. A prática de ensino deve ser entendida como um espaço
de reflexão sobre os aspectos organizacionais, de vivência escolar e de sala de
aula, devendo-se constituir no núcleo central da formação nas licenciaturas,
favorecendo o trabalho multidisciplinar, de experiências e pesquisas
pedagógicas durante a formação.
Deverão ser fornecidos mecanismos institucionais e
acadêmicos para que se garanta a colaboração com os sistemas de ensino de modo
a assegurar a oferta das oportunidades de contato regular supervisionado com a
escola. Esses mecanismos de caráter normativo, de gestão e acadêmicos deverão
favorecer a qualidade da formação e da integração teoria e prática. Deve-se
estabelecer claramente as relações entre os atores envolvidos no processo de
formação da prática de ensino : a universidade, as unidades acadêmicas, os
sistemas educacionais (públicos e privados), os docentes, alunos e supervisores dessa prática.
Recomenda-se que seja previsto o estágio ao longo do curso,
não necessariamente consecutivos, com alternância da permanência na escola com
a permanência em sala de aula
visando-se garantir a reflexão, análise e
aprofundamento/pesquisa das problemáticas apresentadas durante os
semestres/períodos de duração dessa prática.
A permanência na escola terá por finalidade, além de
iniciar à prática da docência, promover a observação, experimentos e análises
das situações de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento de atividades que
propiciem a reflexão, a discussão teórica e a elaboração de projetos e de
pesquisa sobre a prática da docência.
As matérias componentes do currículo que em essência
procuram articular à prática os conteúdos formativos, incluindo as de permanência
na escola ou não, deverão explicitar em seus atributos das disciplinas do
currículo essa dimensão de carga prática.
As atividades formativas devem ser continuamente
acompanhadas e avaliadas por equipes
integradas por professores da instituição e do sistema de ensino. A interação,
o acompanhamento e a avaliação devem ser assegurados por convênios e acordos a
serem firmados entre as partes, através de seus instrumentos específicos e
conforme previsto nas normas pertinentes.
5.3 Prática Pedagógica de Ensino
As atividades de prática pedagógica de ensino de
computação visam articular a teoria e a prática de docência
na formação do licenciando. Sob orientação de professores, os licenciandos desenvolvem e exercem um
papel ativo na construção de um projeto pedagógico de ensino de computação.
Nesse processo, a teoria
fundamenta a prática e é por ela alimentada num processo permanente de reflexão
e reconstrução. Estabelece-se uma integração efetiva da vivência de
aprendizagem enquanto aluno, com a
vivência como docente, enquanto professor em formação. A reflexão e
aprendizagem de métodos e técnicas de ensino são portanto confrontados pela própria experiência. Enquanto
professor, estabelece-se novos compromissos e responsabilidades. Enquanto aluno,
torna-se ativo, crítico e reflexivo diante dos métodos e processos de ensino
que lhe são apresentados e vivenciados.
Nesse processo permanente de descobertas busca-se criar e validar métodos e instrumentos pedagógicos
de ensino e aprendizagem de computação, para diferentes modalidades e níveis de
ensino, definindo-se escopos
curriculares e direcionando as estratégias de ensino para os diferentes
contextos de ensino formal e não formal.
5.4 Estágio Supervisionado
O Estágio Supervisionado de Licenciatura antecipa
para o período de formação do licenciando a vivência profissional em atividades
de estágio supervisionado em campos de estágio os quais podem incluir empresas,
organizações, escolas conveniadas ou a própria instituição de ensino, desde que
desenvolva atividades de atuação profissional do licenciando. O estágio
articulado e desenvolvido de comum acordo entre a instituição acadêmica e a
organização conveniada poderá envolver projetos cooperativos de ensino, pesquisa e extensão. O acompanhamento deverá ocorrer ao
longo de todo o processo prevendo-se
duração mínima de um semestre letivo sendo
regido por regulamentação específica.
5.5 Pesquisa e Projeto de Licenciatura
A reflexão e a pesquisa sobre as vivências nas áreas da
computação e da educação seja do ponto
de vista teórico, prático ou ambos deverão ser articuladas durante o processo
de formação nas disciplinas que compõem o currículo.
A iniciação aos
procedimentos investigativos é recomendada como desenvolvimento processual que contemple aspectos
metodológicos, de pesquisa e de aplicação nos campos da computação e da
educação. O Projeto de Licenciatura concebido como eixo integrador da formação teórico-prática e de pesquisa
estabelece princípios de multi, inter e
trans disciplinaridade.
5.6 Flexibilização da Formação e do
Currículo
A carência de educadores de computação para os diversos
campos de atuação na educação faz com que o currículo seja flexível na escolha do campo
formativo. Sugere-se que o elenco de possibilidades de oferta de disciplinas
eletivas sejam agrupadas por área de
atuação profissional. Essas áreas, concebidas em função do leque de
possibilidades de atuação expressam as intenções educativas e os objetivos
gerais de formação (ensino profissional em escolas, gestão escolar, educação
corporativa, educação a distância, etc.), respeitando-se a vocação da
instituição, interesse do aluno na escolha de seu campo de profissionalização e
as características de cada região.
6.CONTEÚDOS FORMATIVOS
6.1
Área
de formação Básica:
§
De
ciência da computação: visa o domínio
dos fundamentos da ciência e técnicas básicas da computação, do raciocínio
lógico e de resolução de problemas, da organização e manipulação de informações armazenadas; da organização e arquitetura de
computadores; da utilização de técnicas
e ferramentas básicas .
§
De
matemática : visa o desenvolvimento do raciocínio lógico e abstrato; da
estruturação de idéias; da formulação, representação, manipulação e
resolução simbólica de problemas.
§
De Pedagogia:
visa contribuir para a reflexão dos
princípios que norteiam a ação pedagógica por meio das relações com as
complexas formas de aprendizagens e com a compreensão da escola, de sua
organização curricular, do ensino e seus dispositivos, tecnologias, métodos e
estratégias de ensino e aprendizagem.
6.2 Área de formação tecnológica:
§
Tecnologias
básicas e de suporte: visa o domínio das tecnologias básicas de suporte a
sistemas computacionais incluindo
sistemas operacionais, redes de computadores, linguagens, banco de dados e
sistemas distribuídos.
§
Tecnologias
de modelagem, especificação e desenvolvimento de sistemas de informação, de
conhecimento e de sistemas multimídia: engenharia da construção de software;
interface homem-máquina; engenharia de requisitos, análise, arquitetura e
projeto; sistemas multimídia e
interfaces; sistemas inteligentes aplicados a educação; modelagem
representação, armazenamento e recuperação de informações e de conhecimento;
§
Gestão
de tecnologias educacionais: gestão do processo de desenvolvimento; gestão
educacional; planejamento, avaliação, controle, comunicação; qualidade aplicada
a educação; gestão de processos educacionais; acompanhamento e desenvolvimento
de equipes; aspectos estratégicos e humanos nos processos de automação em
organizações de aprendizagem.
§
Prática
do ensino de computação: aplicação dos fundamentos teóricos das ciências da
educação e da computação visando a criação e consolidação de métodos, técnicas
e produção de materiais de ensino de computação em contextos escolares,
ambientes corporativos e de educação não formal.
6.3 Área de formação complementar:
Desenvolve
uma formação ampla voltada para uma compreensão humanística e científica
do complexo dos problemas e processos
educacionais, numa perspectiva de
abordagem e aplicação da computação.
Contextualiza os problemas de ensino e de aprendizagem nos diversos
domínios de aplicação da computação e
do seu uso, numa abordagem integradora. Envolve saberes das ciências da educação e computação com a psicologia, filosofia, matemática e
demais ciências e áreas de aplicação de ensino.
6.4
Área
de formação humanística:
A aplicação social e humana da
licenciatura em computação torna o enfoque de formação humanística fundamental. A necessidade de inovação nos
processos educacionais requer a compreensão e análise crítica da realidade no contexto social, educacional, econômico,
cultural e político. Considera as relações sociais e econômicas do mundo
competitivo e global imposto pelas
tecnologias de comunicação e da computação. Exige uma concepção de formação autônoma e empreendedora para a educação
visando o desenvolvimento em ciência e tecnologia, integrado às questões sociais.
Desenvolve princípios de formação fundado em valores éticos para uma atuação
cooperativa, madura, responsável, solidária, para promover o desenvolvimento autônomo e sustentado.
O empreendedorismo, concebido sob os
princípios da inserção social e do compromisso ético - incluindo a perspectiva da
inovação e da mudança de atitudes -, é de máxima relevância na concepção da
prática pedagógica e da profissionalização do educador. Portanto, transcende a
definição do curso, devendo estar bem explicitado e defendido quando da
elaboração de qualquer proposta de criação de cursos de licenciatura.
7. NÚCLEOS FORMATIVOS
DO EDUCADOR
Os conteúdos formativos a
serem desenvolvidos no processo de qualificação do educador podem ser
considerados como integrantes de núcleos de formação comum que integram e atendem
as especificidades do trabalho
educativo nos diversos segmentos educacionais (educação básica, educação
profissional, educação a distância e educação corporativa,...).
A
complexidade da formação e da atuação do educador deve ser abordada à luz da
reflexão científica e dos princípios da sociedade da informação, incorporando a
prática do planejamento, da avaliação permanente e da concepção de
projetos/atividades cooperativas, sob a perspectiva da inter, multi e trans
disciplinaridade.
1.
DISTRIBUIÇÃO
DE MATÉRIAS COMPONENTES DAS DIRETRIZES CURRICULARES
A seguir são relacionadas às matérias das Diretrizes
Curriculares recomendadas
|
3.1
Área de Formação Básica |
Recomen-dação |
||
|
3.1.1 |
Ciência
da Computação |
|
|
|
|
3.1.1.1 |
Programação |
|
|
|
3.1.1.2 |
Computação
e Algoritmos |
|
|
|
3.1.1.3 |
Arquitetura
de Computadores |
|
|
3.1.2 |
Matemática |
|
|
|
3.1.3 |
Física e
Eletricidade |
|
|
|
3.1.4 |
Pedagogia |
|
|
|
|
|
||
|
3.2
Área de Formação Tecnológica |
||
|
3.2.1 |
Sistemas Operacionais,
Redes de computadores e Sistemas distribuídos |
|
|
3.2.2 |
Compiladores |
|
|
3.2.3 |
Banco de
Dados |
|
|
3.2.4 |
Engenharia
de Software |
|
|
3.2.5 |
Sistemas
Multimídia, Interface homem-máquina e Realidade Virtual |
|
|
3.2.6 |
Inteligência
Artificial |
|
|
3.2.7 |
Computação
Gráfica e Processamento de Imagens |
|