S B C - S o c i e d a d e  B r a s i l e i r a  d e  C o m p u t a ç ã o

 

Diretoria de Educação

Grupo de Trabalho de Licenciatura

GT – LC

Controle de Versões dos Documentos  produzidos para  construção coletiva e  homologação das propostas no âmbito do Grupo de Trabalho de Licenciatura em Computação ou GT-LC e na plenária da SBC:

ü       Versão Amarela – Em construção no âmbito do GT-LC e ainda não homologada como uma versão Verde do CR – LC;

ü       Versão Verde - Aprovada no âmbito do GT-LC porém ainda não homologada em Assembléia da SBC;

ü       Versão Azul – Homologada em Assembléia da SBC.

 

 

S B C - S o c i e d a d e  B r a s i l e i r a  d e  C o m p u t a ç ã o

 

Currículo de Referência para Cursos de

Licenciatura  em C o m p u t a ç ã o

 

CR-LC/2001 - Versão Amarela

 

Grupo de Trabalho de Licenciatura em Computação

( www.sbc.org.br/educacao/GT-LC)

 

Maria de Fátima Ramos Brandão, UnB (Brasília-DF), fatima@cic.unb.br

Coordenadora

 

Lista de participantes

 

Instituicão

Local

Participante

E-mail

Faculdade de Ciência e Tecnologia de UNAI -

UNAI-MG

William José Ferreira

wjferreira@tdnet.com.br

factu@factu.br

Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UNILESTE – MG

Coronel Fabricio – MG

Maria Aparecida Fernandes Almeida

mafa@inf.ufsc.br

 

 

Universidade da Amazônia – UNAMA

Belém – Pará

Leonardo Maro da Luz Falcão

Leonardoamaro@yahoo.com.br

 

Universidade Estadual do Ceará –

Fortaleza – Ceará

Ingrid Guedes Teles

Ingridteles@hotmail.com.br

 

Universidade Católica de Goiás

Goiânia – GO

Marco Aurélio Miranda de Alencar

Marcocomp@bol.com.br

 

Universidade Católica de Goiás

Goiânia – GO

Thiago Segati Silva

Thiagosegati@zipmail.com.br

 

Universidade de Cuiabá

Mato Grosso – MT

Nivaldi Calonego Junior

Nivaldi@terra.com.br

Universidade de São Paulo – ICMC – São Carlos

São Carlos – SP

Regina H. C. Santana

Rcs@icms.sc.usp.br

Universidade Estadual do Piauí – UESPI

Teresina – Piauí

Lianna Mara Castro Duarte

Lmcduarte@hotmail.com

Universidade Estadual do Piauí – UESPI

Teresina – Piauí

Gustavo de Araújo Santana

Amalgamanew@hotmail.com

Universidade de Brasília

Brasília – DF

Rafael de Alencar Lacerda

Rafael_lacerda@hotmail.com

Universidade de Brasília

Brasília – DF

Roberto Rosa da Silveira Júnior

Noverts@hotmail.com

Centro Universitário Adventista de São Paulo

São Paulo

Hélvio Carvalho de Araújo

Helvioa@iae-sp.br

Universidade Gama Filho 

Rio de Janeiro

Luiziana Rezende

Luiziana@ugf.br

Insituto Latino Americano de Planejamento Educacional 

 

Vladimir Bernardi

Vladimir@ilape.com.br

CM Consultoria de Administracão

 

Agenor Celso de Paula

Agenor@cmconsultoria.com.br

CM Consultoria de Administracão

 

Denis de Oliveira Junior

Denis@cmconsultoria.com.br

UNIFOR

Fortaleza – Ceará

Liádima Camargo Lima

Lia@feq.unifor.br

UNIVERSO

Campos/RJ

Carlos Henrique M. Souza

Chmsouza@bol.com.br

Universidade de Santa Cruz do Sul

Santa Cruz do Sul - RS

Bettina Steren dos Santos

Bethnest@terra.com.br

 

 

Maria Augusta Nunes

Guta@wisan.tche.br

UNIVERSO

Campos/RJ

Carlos Henrique M. Souza

Chmsouza@bol.com.br

UNEB

Brasília / DF

José Eduardo Aragão Filho

Earagao@uneb.com.br

Universidade de Caxias do Sul

Caxias do Sul / RS

Marcos Eduardo Casa

Mecasa@ucs.tche.br

Universidade de Caxias do Sul

Caxias do Sul / RS

Alvaro Freitas Moreira

Afmoreira@ucs.tche.br

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

Este documento, produzido pelo Grupo de Trabalho da Diretoria de Educação da SBC (GT-LC) durante o XXI Congresso da SBC, constitui as bases de uma Proposta de Currículo de Referência para  cursos de Licenciatura da Área de Computação e Informática, abreviado por CR-LC/2001 - Versão Amarela, ou em construção, disponibilizado  na página da SBC na Internet  pode ser divulgado amplamente. 

 

O objetivo do CR-LC/2001 é servir de referência para a criação de currículos para cursos de nível superior de formação profissional docente ou de licenciatura, que tenham a computação como área de especialidade ou de atuação multidisciplinar, em sintonia com as Diretrizes Curriculares da área de Computação e Informática e com as Diretrizes para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica.

 

O CR-LC/2001  deve constituir as bases da formação de educadores na área de computação para os diversos campos de atuação na educação.

 

2 ESCOPO

 

A formação profissional docente, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e as características de cada fase do educando, terá como fundamentos a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço; e o aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades (Art.61 da LDB).

 

Esses pressupostos exigem, durante todo o processo de formação do licenciando, uma abordagem integrada entre a teoria, a prática e as experiências anteriores, quer sejam de natureza docente ou não. A concepção autônoma para a  aquisição, produção, criatividade e inovação aliada à  sensibilidade para a compreensão, análise e intervenção em  situações de ensino complexas, são requisitos essenciais para a formação profissional docente de qualidade.

 

A Computação ou Informática, entendida como o corpo de conhecimentos a respeito  de computadores, sistemas de computação e suas aplicações, engloba aspectos teóricos, experimentais, de modelagem e de projeto que têm a computação como área de especialidade e como área  de atuação multidisciplinar. Apresenta como princípio de investigação a resolução de problemas humanos, cada vez mais complexos e interrelacionados com outras áreas,  que tem determinado avanços e transformação da sociedade. A técnica produzida pelas ciências transforma a sociedade, mas também, retroativamente, a sociedade tecnologizada transforma a própria ciência. Assim, a ciência é intrínseca, histórica, sociológica e eticamente, complexa. É essa complexidade específica que é preciso reconhecer[1]. A computação, como uma ciência, é portanto inseparável de seu contexto histórico e social.

 

A concepção de cursos de formação profissional docente em computação abrangerá os enfoques de formação especializada e multidisciplinar. Esse requisito é fundamentado no fato de que o campo de atuação do profissional licenciado em computação deverá contemplar:  na educação básica, o enfoque de formação para atuação multidisciplinar no campo do desenvolvimento do conhecimento, da vida social e do trabalho; e na educação profissional, para as demandas produtivas de formação geral e de especialização técnica. Ambos os campos de atuação do licenciado podem ter a computação como o corpo de conhecimentos especializado e/ou multidisciplinar.

 

O importante  no caso da formação do licenciado em computação é a caracterização do curso como de formação de educadores em computação, independentemente do enfoque de atuação profissional.  O perfil do profissional licenciado delimitará o escopo de atuação do educador  e dependerá da concepção do projeto político pedagógico do curso.

 

3 ORGANIZAÇÃO

 

Este documento apresenta  na seção 4 o perfil do profissional docente - ou licenciado - e o seu papel na sociedade. Apresenta as principais competências e habilidades, deveres e responsabilidades dos profissionais, e por conseqüência as responsabilidades das Instituições envolvidas na atividade de formação dos licenciados  em computação.

A seção 5 apresenta os princípios da formação profissional docente evidenciando os aspectos fundamentais da concepção da formação e do curso.

A seção 6 apresenta a estruturação de conteúdos formativos de acordo com as Diretrizes Curriculares da Área de Computação e Informática úcleos e os princípios  fundamentais a serem necessariamente desenvolvidos quando da seleção do elenco das matérias do projeto e concepção de um curso.

 

4 PERFIL PROFISSIONAL DO EDUCADOR

 

4.1 Aspectos gerais

 

O educador é um profissional que incorpora competências, saberes e habilidades de criatividade e inovação, de cooperação e de trabalho em equipe,  de gestão e tomada de decisões, de aquisição e produção de conhecimentos, de expressão e comunicação, não sendo somente reprodutor de conhecimentos já estabelecidos.

 

Trata-se de um profissional capaz de : atuar na docência e compreender sua prática pedagógica como um processo de aprimoramento contínuo; estabelecer  relações entre as áreas do conhecimento e o contexto social que atua;  desempenhar um papel transformador da realidade de forma a  contribuir para o desenvolvimento da ciência, tecnologia, arte e cultura; e promover a formação de cidadãos para uma  sociedade fundada no conhecimento, no  trabalho e na necessária reflexão  sobre valores éticos, de justiça e de integração social.

 

4.2 Competências e Habilidades 

 

O desenvolvimento de competências é processual e a formação inicial é, apenas, a primeira etapa do desenvolvimento profissional permanente. A perspectiva de desenvolvimento de competências exige a compreensão de que o seu trajeto de construção se estende ao processo de formação continuada, sendo, portanto, um instrumento norteador do desenvolvimento profissional permanente [MEC,2000].

 

Os egressos de cursos de Licenciatura em Computação devem desenvolver as seguintes competências e habilidades:

 

·        Ter uma sólida compreensão dos processos educativos e de aprendizagem, de forma a estabelecer relações e integrar a área de computação à ciência da educação, de maneira multidisciplinar, transversal e multidimensional,   promovendo a apreensão e reflexão do seu contexto, da complexidade e do seu conjunto, de forma a  redirecionar as  ações no ensino e aprendizagem;

·        Ser capaz de atuar como agente de processos e vivências educativas em computação, de maneira integrada às demais áreas do conhecimento e na solução de problemas da sociedade humana, global e planetária;

·        Ser capaz de promover a aprendizagem criativa, autônoma, colaborativa e de comunicação e expressão, como princípios indissociáveis da prática educativa;

·        Promover a cultura empreendedora, contribuindo para uma mudança nos paradigmas comportamentais e de atitudes nos contextos educacionais, na perspectiva de desenvolvimento pessoal e profissional.

 

4.3 Aspectos Técnicos

 

Os egressos de cursos de Licenciatura em Computação devem ser profissionais com os seguintes conhecimentos técnicos, que podem variar de acordo com as especificidades de cada curso:

 

·        Compreensão dos fundamentos conceituais da ciência da computação e das tecnologias básicas associadas, suas aplicações e seus impactos na organização produtiva e sócio-cultural regional, nacional e global, numa perspectiva de preservação das identidades culturais, de melhoria da qualidade de vida  e da cidadania terrestre;

·        Reconhecimento e identificação de problemas da sociedade humana que possam ser tratados com o suporte computacional de maneira  multi, inter e transdisciplinar;

·        Modelagem, especificação, desenvolvimento, implantação  e manutenção de soluções computacionais  para  abordagem de problemas  reais e da sociedade em contextos educacionais e de educação corporativa;

·        Uso e seleção de software e hardware adequados às demandas das escolas, instituições de ensino e  organizações em geral.

 

Os cursos de licenciatura devem preparar educadores capacitados a contribuir para  o desenvolvimento da sociedade a partir da produção de conhecimentos e da docência na área de computação de maneira multidisciplinar ou especializada. Devem ser preparados para apropriar as evoluções na área de forma autônoma e desenvolver sensibilidade para  atuar nos diferentes contextos de ensino formal e não formal.

 

Os cursos de licenciatura com enfoque de formação especializada devem preparar profissionais que possam desenvolver atividades de: (a)  investigação e desenvolvimento de conhecimento nas  áreas de computação e de educação de maneira multi, inter e transdisciplinar; (b)  análise e modelagem de problemas educacionais do ponto de vista computacional; e (c)  projeto e implementação de soluções computacionais nos  processos educacionais e de aprendizagem.

 

Os cursos de licenciatura com enfoque de formação multidisciplinar em computação devem  preparar profissionais capacitados a aplicar a computação em outros domínios de conhecimento. Os profissionais devem ser aptos a desenvolver e utilizar recursos computacionais para solução de problemas em contextos diversos. As atividades desses profissionais englobam: (a) avaliação, especificação, aquisição, instalação e gestão dos recursos e serviços da tecnologia da informação e (b) desenvolvimento e evolução de sistemas e infra-estrutura tecnológica para uso em processos educacionais, organizacionais, produtivos, administrativos e de gestão.

 

4.4 Aspectos Ético-Sociais

 

Os egressos de cursos de Licenciatura em Computação devem desenvolver a consciência ética do genêro humano que é ser ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie. A ética deve formar-se nas mentes com base na consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie, não podendo ser ensinada por meio de lições de moral. O desenvolvimento verdadeiramente humano deve compreender o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e da consciência de pertencer a espécie humana [Morin,2000].

 

Nesse sentido, os egressos do curso de licenciatura devem desenvolver a capacidade de compreender e estabelecer essas conexões de conhecimentos individuais, coletivos, de cidadania e de preservação ambiental, desenvolvendo reflexões sobre os princípios éticos que regem a sociedade, e em particular àqueles da tecnologia da informação.

 

5 PRINCÍPIOS DA FORMAÇÃO

 

A formação profissional da licenciatura deverá adquirir identidade própria e  integrar a formação pedagógica e a formação específica. Tais  pressupostos exigem dos alunos e docentes, durante todo o percurso da formação,  uma atitude ativa e  reflexiva sobre a prática, os currículos e conteúdos apresentados e sobre o processo  de aprendizagem, estabelecendo-se dinâmicas pedagógicas diferenciadas e próprias daquelas desenvolvidas na praxe dos cursos de bacharelado.

 

É necessário portanto introduzir mecanismos que evidenciem claramente o papel do licenciado, visando a tomada de consciência e mudança de postura frente ao contínuo processo de formação docente. Esse requisito exige o estabelecimento do vínculo do aluno com o curso desde o momento do ingresso. Isso implica  dizer que o processo de formação da licenciatura deverá ser caracterizado desde o início do curso, pelas matérias que compõem o currículo, com práticas de ensino diferenciadas daquelas adotadas para os cursos de bacharelado,  ainda que sejam preservadas as similaridades do seu campo formativo.

 

O tratamento das licenciaturas como processo de formação distinto do bacharelado procura evidenciar a identidade própria das licenciaturas a qual poderá ser consolidada,  com base nos documentos de Diretrizes Curriculares e o CR-LC, em um  Projeto Institucional e Pedagógico específico do curso. O projeto pedagógico do curso deverá garantir a identidade da licenciatura como um processo de formação contínuo desde o início do curso e não apenas em disciplinas, matérias pedagógicas e estágios ao final do curso.

 

5.1 Duração do Curso

 

Os cursos de licenciatura devem ser consolidados como cursos de excelência de nível de graduação e de duração plena para a formação inicial de educadores da área de  computação. O tempo destinado à parte prática deve permear todo o curso de formação, de modo a promover o conhecimento experiencial do educador.

 

5.2 Vivência Experiencial

 

A formação do licenciando, conforme prevê a LDB, deverá integrar  teoria e prática durante todo o processo de formação. A prática de ensino deve ser entendida como um espaço de reflexão sobre os aspectos organizacionais, de vivência escolar e de sala de aula, devendo-se constituir no núcleo central da formação nas licenciaturas, favorecendo o trabalho multidisciplinar, de experiências e pesquisas pedagógicas durante a formação.

 

Deverão ser fornecidos mecanismos institucionais e acadêmicos para que se garanta a colaboração com os sistemas de ensino de modo a assegurar a oferta das oportunidades de contato regular supervisionado com a escola. Esses mecanismos de caráter normativo, de gestão e acadêmicos deverão favorecer a qualidade da formação e da integração teoria e prática. Deve-se estabelecer claramente as relações entre os atores envolvidos no processo de formação da prática de ensino : a universidade, as unidades acadêmicas, os sistemas educacionais (públicos e privados), os docentes,  alunos e supervisores dessa prática. 

 

Recomenda-se que seja previsto o estágio ao longo do curso, não necessariamente consecutivos, com alternância da permanência na escola com a  permanência em sala de aula visando-se garantir a reflexão, análise e  aprofundamento/pesquisa das problemáticas apresentadas durante os semestres/períodos de duração dessa prática.

 

A permanência na escola terá por finalidade, além de iniciar à prática da docência, promover a observação, experimentos e análises das situações de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento de atividades que propiciem a reflexão, a discussão teórica e a elaboração de projetos e de pesquisa sobre a prática da docência.

 

As matérias componentes do currículo que em essência procuram articular à prática os conteúdos formativos, incluindo as de permanência na escola ou não, deverão explicitar em seus atributos das disciplinas do currículo essa dimensão de carga prática.

 

As atividades formativas devem ser continuamente acompanhadas e  avaliadas por equipes integradas por professores da instituição e do sistema de ensino. A interação, o acompanhamento e a avaliação devem ser assegurados por convênios e acordos a serem firmados entre as partes, através de seus instrumentos específicos e conforme previsto nas normas pertinentes.

 

5.3 Prática Pedagógica de Ensino

 

As atividades de prática pedagógica de ensino de computação  visam  articular a teoria e a prática de docência na formação do licenciando. Sob orientação de professores,  os licenciandos desenvolvem e exercem um papel ativo na construção de um projeto pedagógico  de ensino de computação.  Nesse processo,  a teoria fundamenta a prática e é por ela alimentada num processo permanente de reflexão e reconstrução. Estabelece-se uma integração efetiva da vivência de aprendizagem enquanto aluno, com a  vivência como docente, enquanto professor em formação. A reflexão e aprendizagem de métodos e técnicas de ensino são portanto confrontados  pela própria experiência. Enquanto professor, estabelece-se novos compromissos e responsabilidades. Enquanto aluno, torna-se ativo, crítico e reflexivo diante dos métodos e processos de ensino que lhe são  apresentados e vivenciados. Nesse processo permanente de descobertas busca-se criar  e validar métodos e instrumentos pedagógicos de ensino e aprendizagem de computação, para diferentes modalidades e níveis de ensino, definindo-se  escopos curriculares e direcionando as estratégias de ensino para os diferentes contextos de ensino formal e não formal.

 

5.4 Estágio Supervisionado

 

O Estágio Supervisionado de Licenciatura antecipa para o período de formação do licenciando a vivência profissional em atividades de estágio supervisionado em campos de estágio os quais podem incluir empresas, organizações, escolas conveniadas ou a própria instituição de ensino, desde que desenvolva atividades de atuação profissional do licenciando. O estágio articulado e desenvolvido de comum acordo entre a  instituição  acadêmica e a organização conveniada poderá envolver projetos cooperativos  de ensino, pesquisa e  extensão. O acompanhamento deverá ocorrer ao longo de  todo o processo prevendo-se duração mínima de um semestre letivo sendo  regido por regulamentação  específica.

 

5.5 Pesquisa e Projeto de Licenciatura  

 

A reflexão e a pesquisa sobre as vivências nas áreas da computação e da educação seja  do ponto de vista teórico, prático ou ambos deverão ser articuladas durante o processo de formação nas disciplinas que compõem o currículo. 

 

A iniciação aos  procedimentos investigativos é recomendada  como desenvolvimento processual que contemple aspectos metodológicos, de pesquisa e de aplicação nos campos da computação e da educação. O Projeto de Licenciatura concebido como  eixo integrador da formação teórico-prática e de pesquisa estabelece princípios  de multi, inter e trans disciplinaridade.

 

5.6 Flexibilização da Formação e do Currículo

 

A carência de educadores de computação para os diversos campos de atuação na educação faz com que o currículo seja flexível na escolha do campo formativo. Sugere-se que o elenco de possibilidades de oferta de disciplinas eletivas sejam  agrupadas por área de atuação profissional. Essas áreas, concebidas em função do leque de possibilidades de atuação expressam as intenções educativas e os objetivos gerais de formação (ensino profissional em escolas, gestão escolar, educação corporativa, educação a distância, etc.), respeitando-se a vocação da instituição, interesse do aluno na escolha de seu campo de profissionalização e as características de cada região.

 

6.CONTEÚDOS FORMATIVOS

 

6.1 Área de formação Básica:

 

§         De ciência da computação: visa o  domínio dos fundamentos da ciência e técnicas básicas da computação, do raciocínio lógico e de resolução de problemas, da organização e manipulação de informações  armazenadas; da organização e arquitetura de computadores; da utilização de  técnicas e ferramentas  básicas .

§         De matemática : visa o desenvolvimento do raciocínio lógico e abstrato; da estruturação de idéias; da formulação, representação, manipulação e resolução  simbólica de problemas.

§         De Pedagogia: visa contribuir  para a reflexão dos princípios que norteiam a ação pedagógica por meio das relações com as complexas formas de aprendizagens e com a compreensão da escola, de sua organização curricular, do ensino e seus dispositivos, tecnologias, métodos e estratégias de ensino e aprendizagem.  

 

6.2 Área de formação tecnológica:

 

§         Tecnologias básicas e de suporte: visa o domínio das tecnologias básicas de suporte a sistemas computacionais  incluindo sistemas operacionais, redes de computadores, linguagens, banco de dados e sistemas distribuídos.

§         Tecnologias de modelagem, especificação e desenvolvimento de sistemas de informação, de conhecimento e de sistemas multimídia: engenharia da construção de software; interface homem-máquina; engenharia de requisitos, análise, arquitetura e projeto; sistemas  multimídia e interfaces; sistemas inteligentes aplicados a educação; modelagem representação, armazenamento e recuperação de informações e de conhecimento;

§         Gestão de tecnologias educacionais: gestão do processo de desenvolvimento; gestão educacional; planejamento, avaliação, controle, comunicação; qualidade aplicada a educação; gestão de processos educacionais; acompanhamento e desenvolvimento de equipes; aspectos estratégicos e humanos nos processos de automação em organizações de aprendizagem.

§         Prática do ensino de computação: aplicação dos fundamentos teóricos das ciências da educação e da computação visando a criação e consolidação de métodos, técnicas e produção de materiais de ensino de computação em contextos escolares, ambientes corporativos e de educação não formal.

 

6.3 Área de formação complementar:

 

Desenvolve  uma formação ampla voltada para uma compreensão humanística e científica do  complexo dos problemas e processos educacionais,  numa perspectiva de abordagem e aplicação da computação.  Contextualiza os problemas de ensino e de aprendizagem nos diversos domínios de aplicação da computação  e do seu uso, numa abordagem integradora. Envolve saberes das  ciências da educação e computação com  a psicologia, filosofia, matemática  e  demais ciências e áreas de aplicação de ensino.

 

6.4 Área de formação humanística:

 

A aplicação social e humana da licenciatura em computação torna o enfoque de formação humanística  fundamental. A necessidade de inovação nos processos educacionais requer a compreensão e análise crítica da realidade  no contexto social, educacional, econômico, cultural e político. Considera  as  relações sociais e econômicas do mundo competitivo e global imposto pelas  tecnologias de comunicação e da computação. Exige  uma concepção de formação  autônoma e empreendedora para a educação visando o desenvolvimento em ciência e tecnologia, integrado às questões sociais. Desenvolve princípios de formação fundado em valores éticos para uma atuação cooperativa, madura, responsável, solidária, para  promover o desenvolvimento autônomo e sustentado.

 

O empreendedorismo, concebido sob os princípios da inserção social e do compromisso ético - incluindo a perspectiva da inovação e da mudança de atitudes -, é de máxima relevância na concepção da prática pedagógica e da profissionalização do educador. Portanto, transcende a definição do curso, devendo estar bem explicitado e defendido quando da elaboração de qualquer proposta de criação de cursos de licenciatura.

 

 

7. NÚCLEOS FORMATIVOS DO EDUCADOR

 

Os conteúdos formativos a serem desenvolvidos no processo de qualificação do educador podem ser considerados como integrantes de núcleos de formação comum que integram e atendem as especificidades  do trabalho educativo nos diversos segmentos educacionais (educação básica, educação profissional, educação a distância e educação corporativa,...).

 

A complexidade da formação e da atuação do educador deve ser abordada à luz da reflexão científica e dos princípios da sociedade da informação, incorporando a prática do planejamento, da avaliação permanente e da concepção de projetos/atividades cooperativas, sob a perspectiva da inter, multi e trans disciplinaridade.

 

 

1.      DISTRIBUIÇÃO DE MATÉRIAS COMPONENTES DAS DIRETRIZES CURRICULARES

 

A seguir são relacionadas às matérias das Diretrizes Curriculares recomendadas

 

3.1 Área de Formação Básica

Recomen-dação

3.1.1

Ciência da Computação

 

 

3.1.1.1

Programação

 

 

3.1.1.2

Computação e Algoritmos

 

 

3.1.1.3

Arquitetura de Computadores

 

3.1.2

Matemática

 

3.1.3

Física e Eletricidade

 

3.1.4

Pedagogia

 

 

 

 

3.2 Área de Formação Tecnológica

3.2.1

Sistemas Operacionais, Redes de computadores e Sistemas distribuídos

 

3.2.2

Compiladores

 

3.2.3

Banco de Dados

 

3.2.4

Engenharia de Software

 

3.2.5

Sistemas Multimídia, Interface homem-máquina e Realidade Virtual

 

3.2.6

Inteligência Artificial

 

3.2.7

Computação Gráfica e Processamento de Imagens